quarta-feira, 3 de setembro de 2014

UTMB - CCC - Chamonix

Chamonix
Depois de ter sido obrigado a desistir das 100 milhas do ehunmilak devido a lesão, o principal objectivo passava a ser o CCC (Courmayeur - Champex - Chamonix), entretanto 1 mês antes desta prova surgiu a possibilidade de alterar de prova que tinha agendada para terminar o ano competitivo, inicialmente seria o Tenerife Bluetrail de 100km em que já estava inscrito, mas abriu-se a porta das 100 milhas da Diagonal des Fous e sendo assim o CCC passaria a ser um "bom" treino longo mas que não poderia deixar grandes marcas físicas pois a preparação tinha de continuar com vista à prova que se vai realizar naquela bela ilha do Oceano Índico em Outubro.
Viajei para Chamonix 3ªf, a prova seria na 6ªf por isso havia a possibilidade de treinar e ambientar para aquela dura prova que se desenrola em plenos Alpes e com vista privilegiada para o Monte Branco.
Já tinha estado em Chamonix em Agosto do ano passado, e em Julho deste ano fui fazer o KM Vertical e a Maratona do Monte Branco, por isso já conhecia o desafio e percurso que tinha pela frente.
Chamonix além da "Meca" do trail running também é um dos melhores destinos para os desportos Outdoor, são muitas as pessoas que cruzamos pelo centro da cidade com bastões, mochilas, botas de escalada, etc... além das dezenas de lojas relacionadas com estas actividades, sem duvida um ambiente fantástico, melhor ainda nestes dias que precedem uma das provas mais importantes do Mundo.
Ainda na 3ªf fiz um treino curto de cerca de 50 minutos até ao Chalet La Florie, local muito bonito com fantásticas vista sobre Chamonix e para o pico do Monte Branco.
Na 4ªf novo treino muito soft na companhia do pessoal da Desnível Positivo, Carlos Sá, Nuno Silva, Ester e também do meu colega de apartamento o Rodrigo Souza, que veio do Brasil para fazer o UTMB e que se viria a revelar uma pessoa espectacular e com um grande sentido de humor, ou como ele passou a dizer "fixe". Esse treino também serviu para o Carlos fazer umas filmagens e entrevistas para o seu canal do YouTube e que brevemente serão partilhadas aqui: (http://www.youtube.com/channel/UCfXu5KsmkI0VeP1g-5HhxTg
Na parte da tarde foi para levantar o dorsal e apresentar o material obrigatório, apesar de estar muita gente acabou por ser relativamente rápido, até porque estava na boa companhia do Diogo Almeida e da Natália que também iam fazer a mesma prova. A organização é do melhor que já vi tudo bem pensado e organizado, depois de entrarmos na zona do Check-In não houve tempos mortos, ao contrário do que pensava o material obrigatório não foi todo confirmado pois ao entrar davam-nos um papel para assinar com o nossos dados e número de dorsal e 4 itens do material obrigatório aleatórios, a mim saiu os 2 frontais e respectivas pilhas suplentes, calças impermeáveis, casaco impermeável e telemóvel, tudo correu bem e estava tratado este assunto, de seguida fui até ao recinto da feira visitar todos aqueles stands para começar a ter uma ideia do calendário para 2015, muita promoção a várias provas pelo mundo fora incluindo o Geres Trail Adventure. 
Neste dia o Carlos Sá reuniu os portugueses presentes em Chamonix para jantarmos e confraternizar no Alan Peru um restaurante gerido por uma portuguesa radicada em Chamonix. 
5ªf  foi um dia dedicado ao descanso total e preparar tudo para no dia seguinte levar para a prova.
6ªf começou bem cedo cerca das 6.00h para um bom pequeno-almoço, equipar e sair para o centro de Chamonix na companhia do Diogo e da Natália onde iríamos apanhar um autocarro para Courmayeur em Itália onde iria às 9.00h começar a prova, tudo decorreu sem qualquer tipo de espera e às 8.00h já estávamos no local da partida, optei por não deixar qualquer saco no posto de Champex a pensar que seriam cerca de 2500 pessoas e que talvez seria grande confusão e tempo perdido para ter acesso ao saco, então além do material obrigatório optei por levar mais um par de meias e uma t-shirt.
Uma meia hora antes das 9.00h já na zona de partida, eu, o Diogo e a Natália fomos separados pela organização devido a terem criado 3 zonas de partida relacionadas com os tempos que tínhamos dado na altura da inscrição, fiquei então sozinho mas rapidamente encontrei o pessoal da APT e juntei-me ao grupo.
Uns minutos antes das 9.00h o nervosismo aumenta, começam a tocar os hinos dos 3 países que a prova atravessa e o ambiente é fenomenal, a musica ajuda a arrepiar a pele, desejamos boa sorte e é dada a partida, muito público nas ruas a abanar os típicos chocalhos das vacas tradicionais do Alpes tornam este momento fantástico, depois de 3 km dentro de Courmayeur entramos nos primeiros trilhos que nos leva à primeira grande dificuldade do dia e logo o ponto mais alto da prova com cerca de 2600 metros de altitude. Lá segui a tentar gerir da melhor maneira o esforço, as sensações eram boas, estava a sentir-me bem e o ritmo era bom, com 2h de prova estava no alto de Tête de la Tronche e a partir daqui a prova entrou na que para mim é a zona mais bonita do percurso até ao Grand Col Ferret novo ponto acima dos 2500 metros e uma subida brutal, 1h de subida e as vistas eram fantásticas, para já o tempo estava bom e iniciava a maior descida da prova, seriam quase 20km e por estranho que achem era o local que mais receio tinha, foram quase 2h a descer mas que correram melhor que o que estava à espera, no abastecimento de La Fouly encontrei o Miguel Catarino e fomos juntos a bom ritmo e a ultrapassar muita gente até ao inicio da subida para Champex onde estava o principal posto de abastecimento da prova, na subida o Catarino estava a andar forte e não consegui ir ao ritmo dele, (acho que vou ter de me render aos bastões), quando cheguei a Champex com pouco mais de 8h de prova voltei a encontrar o Catarino que estava com a família, ouvi chamarem o meu nome e era ele e o Telmo Dourado, fui ao encontro deles e que grande ajuda foi o Telmo, enquanto optei por trocar de meias ele foi buscar uma data de comida e com isto além de perder pouco tempo alimentei-me bem, alem disso o Catarino ainda me cedeu uma fast recovery o que ajudou a recuperar algum do esforço dispendido, e não há duvidas que uma boa alimentação e hidratação fazem milagres, senti-me sempre muito bem e com força durante a prova quase toda.
O Catarino saiu uns minutos antes de mim e só o voltei a ver em Vallorcine. Bem alimentado sai agradecendo a ajuda do Telmo e com os incentivos dele e do Paulo Reis e que bem sabe isto, dá uma força extra, posso dizer que a partir daqui sentia-me como que se a prova tivesse começado e fui continuando a ultrapassar mais atletas e então quando era a descer consegui impor um ritmo muito bom, parecia que era uma prova de 20 ou 30km, mesmo nas zonas com mais lama e era muita, até porque começou a chover, o ritmo era muito bom, fisicamente estava a sentir-me bem e a cabeça estava a ajudar, até porque ia recebendo informação dos meus pais e da Cláudia que me diziam que estava constantemente a ganhar lugares na classificação, além de várias mensagens de amigos a incentivar o que dá grande força, e posso dizer que facilmente cheguei a Trient.
Como a estimativa da organização estava bem acima do ritmo que ia cheguei rapidamente ao abastecimento de Trient o pessoal da APT só os encontrei quando já ia a sair, mas ainda deu para trocar uma palavras e ouvir novamente os seus incentivos, foram GRANDES, a partir daqui já era praticamente noite e como chovia o dia estava escuro, optei por parar logo na saída de Trient para pôr o frontal e uns minutos mais à frente já ia ligado. Esta subida que nos levava até Catogne foi a que melhor me senti e fiz parte dela a trote, passei uma data de gente que ficava admirada como ia naquele ritmo já perto do 80km, a descida para Vallorcine foi mais técnica e com muita lama mas continuava a bom ritmo e a passar mais atletas, chegado ao último posto de abastecimento completo com 13h de prova, acabo de entrar e vejo que o Catarino estava lá, andamos com poucos minutos de diferença, opto por fazer uma paragem rápida e só comi uma sopa de massa bebi um chá e continuei, penso que estive lá cerca de 3/5 minutos, aqui apesar de avisado descurei um pouco a alimentação e tinha pela frente uma dura subida muito técnica e com muita chuva e vento pela frente, novo incentivo a sair do posto agora mais forte pois além do Telmo e do Paulo Reis já estava também o Paulo Tavares e a Anabela Rodrigues e foi sempre a correr até ao inicio da subida, sabia o que tinha pela frente já tinha feito esta subida e sabia que era uma destruidora de pernas, e então já com 85km mais difícil seria.
No posto de controlo mesmo antes de iniciar a subida optei por vestir a camisola térmica, estava com a que levava molhada e estava a sentir  frio, com muito chuva e vento e como ia subir novamente acima dos 2000 metros é já era noite joguei pelo seguro, por acaso o Rui Barbosa estava neste ponto de controlo e deu-me uma grande ajuda na troca, já estava com as mãos geladas e com a roupa colada ao corpo sozinho iria ser bem difícil. 
Atravesso a estrada que liga Chamonix a Martigny na Suíça e inicio a temida subida, a última, mas esta subida foi de longe a que mais me custou, a meio da subida apanhei um grupo de 4 atletas, optei por seguir com eles, foi uma boa opção, sofri muito nesta zona, não me alimentei como devia em Vallorcine e estava a pagar isso, aproveitei para comer 2 barras de mel e recuperei bem, esta subida é muito técnica, tem muita pedra e em algumas zonas temos mesmo de usar as mãos, mesmo depois de chegar ao alto, Tête aux Vents, (o nome diz tudo) a pedra continua a ser o que temos que pisar quase até chegarmos a La Flégére último posto de abastecimento, optei por nem parar, já tinha feito esta parte da prova em Junho na Maratona e sabia que demorava pouco mais de 45 minutos a chegar a Chamonix, aqui sabia que a prova estava feita mais ainda tinha 5 atletas na frente para entrar no top 100, na longa descida consegui passar 4 sabia que estava a 1 lugar do objectivo que criei a meio da prova mas não fazia a mínima ideia da distância que estava desse atleta, não via ninguém na minha frente e tinha dado grande vantagem aos que tinha passado, então optei por parar no Chalet la Florie para tirar o impermeável e guardar na mochila, e foi esta decisão que me tirou o 100º lugar, perdi cerca de 2 minutos e o atleta que fez 100º terminou com 2 minutos de vantagem, ou seja se soubesse que ele estava ali tão perto provavelmente o tinha alcançado, paciência!!! 

A chegada a Chamonix já foi depois da 1.00h da manhã, mas mesmo assim ainda algumas pessoas na rua a incentivar, e já na recta final vem o Telmo ao meu encontro e entrega-me uma bandeira nacional, aí foi terminar, festejar, 16.22h depois e no 101º lugar e 23º na categoria, tinha sido uma corrida de trás para a frente e na chegada tinha aquele grupo que me acompanhou nos abastecimentos à espera e o Catarino que já tinha chegado uns minutos antes também aguardava por mim, fantástico aquele final, fantástica aquela prova, tinha finalmente feito uma prova que ultrapassou nas minhas preferências Cavalls del Vent.
Depois foi tirar fotos com o pessoal, ouvir novidades sobre outros atletas, também sobre o que se passava no UTMB, entretanto também chegava a Natércia Silvestre e mais uma festa, depois foi regressar ao apartamento que começava o corpo a arrefecer e estava muito frio.
No sábado e depois de uma boa noite de sono acordei bem melhor do que pensava que ia estar, o "empeno" não era muito e até deu para acompanhar o Carlos Sá nos seus últimos metros em Chamonix, ainda recebemos o Nuno Silva e já noite dentro nova corrida desta vez com a chegada da Ester!

Estive sozinho no apartamento até Domingo de manhã altura que chegou o também Finisher do UTMB Rodrigo Souza, grande campeão. Ainda fiz um ligeiro trote de 30 minutos para "limpar" o lactato acumulado!
Depois fomos ver a entrega de prémios do UTMB onde esteve o Carlos Sá e de seguida novo jantar com os amigos no Alan Peru de despedida com a presença do "Mestre" Carlos Natividade, um exemplo e um grande campeão, também finisher do UTMB.
2ªf era dia de regresso, a manhã foi para dar uma volta por Chamonix na companhia do "famoso" Rodrigo, fazer umas compras e regressar ao Porto.


Aproveito para agradecer a todos que enviaram mensagens, que ligaram, que estiveram presentes, que apoiaram nos postos, à Cláudia, aos meus pais e irmã ao Paulo Pires APT, e Desnível Positivo!
Agora continuar o trabalho com o objectivo das 100 milhas da Diagonal dos Loucos em Outubro!!!







Chegada













Champex












sábado, 5 de julho de 2014

Mont-Blanc Marathon- Skyrunning World Championships - Chamonix

Depois de ter estado em Chamonix em Agosto de 2013 a treinar com um grupo liderado pelo Carlos Sá, e, logo no 1º dia, termos feito o KM Vertical (KMV)  - esta prova consiste em fazer no menor tempo possível 1000 metros de desnível positivo em 3.8km - fiquei de imediato com a certeza que queria experimentar aquela "parede" em competição. Esta é uma prova com muita procura porque além de se realizar na Meca do trail running mundial também decide os campeões do mundo de Skyrunning. Estive atento, e fiz a inscrição minutos depois de abrirem, 1º no KMV e depois na Maratona, a verdade é que entre a maratona e os 80km preferia a prova mais longa mas como queria muito estar no KMV que começava na 6ªf e os 80km também, não eram compatíveis.
KMV
Foi em família que viajamos para Chamonix, primeiro de avião e depois de carro desde Genève. Chegados a Chamonix fomo-nos instalar no apartamento alugado para 1 semana, apartamento este que estava bem localizado, a 5 minutos do centro.
Era 4ªf depois de instalados e porque já era fim de tarde e estava um tempo excelente fui treinar e resolvi reconhecer o 1º KM da prova do KMV, já não me lembrava da dureza da subida, e o 1º km é o menos agressivo, as sensações foram boas, recordar aquelas montanhas quase 1 ano depois de lá ter estado, foi fantástico! Chamonix está sempre ligada aos desportos de montanha mas estes dias respirava-se trail nas ruas e era frequente cruzar-me com as principais figuras da modalidade.
Na 5ªf o dia foi para passear por Chamonix e ir levantar os dorsais para as 2 provas, estas grandes provas fazem com que quase toda a elite esteja presente, no trail é normal no levantamento dos dorsais na fila ao lado da que me encontrava estava por exemplo a Nuria Picas, a Fernanda Maciel, Emelie Forsberg ou o Luis Alberto Hernando e o Philipe Reiter, com o qual ainda troquei umas palavras!

Esta é sem dúvida uma grande organização, praticamente todas as marcas ligadas à modalidade estavam presentes quer de material, equipamentos ou alimentação. Depois de tudo tratado, e bem visto, foi altura de novo treino, este seria plano e no fim tentei ir fazer uma sessão de crioterapia na margem de um canal de água que vem do degelo da alta montanha (alguns colegas sabem bem do que falo) mas a corrente era tão forte e a agua estava tão gelada que não dava para mais, do que pôr os pés de molho, em sessões de 15 segundos!
Crioterapia

6ªf era o dia da 1ª prova o KMV, começava as 16h, mas como é ao cronometro, com saída individual de cada atleta, a cada 30 segundos, tinha de ir saber a que horas ia sairia. Fiquei a saber que seria às 17:30 ou seja 1h antes do Kilian, era excelente porque assim podia assistir à prova dele.
Depois de um almoço e lanche à base de massas, e com o nervoso miudinho a aparecer conforme a hora se aproximava, olhava para aquela montanha onde já se viam os atletas espalhados por aquela enormidade a cima, à distância não passavam de pequenos pontos na montanha.
17.30h e estava no local da saída, os atletas saiam com intervalos de 30 segundos controlados por um juiz e por um cronometro com "semáforo", o ambiente era incrível naquela praça até porque coincidia com a chegada da prova dos 80km, muita gente naquela zona. Chegava a hora, estava sozinho na partida a ver o relógio na contagem decrescente, a pulsação subi, semáforo verde e estava no início da prova mais curta em distância que tinha feito até à altura, sai rápido até porque com aquele apoio a adrenalina está no máximo, logo nos primeiros metros estava a minha família a apoiar e andei forte nos primeiros 300/400 metros, depois deitei mão à consciência, sabia que tinha que controlar o ritmo para não morrer na praia.
Partida KMV
Fui a correr praticamente até aos 300 metros de desnível, esta prova ao contrário das outras está marcada a cada 100 metros de desnível positivo. A prova é brutal, quer de dureza como de beleza, ao subirmos aquela montanha aos "S" com um desnível brutal e irmos vendo Chamonix a ficar para baixo é incrível, continuava muita gente espalhada pelo percurso, a frequência cardíaca andou sempre no "red line",  e aos 800 metros de altitude a prova entra na zona mais técnica, rocha na vertical com apoios em ferro para subirmos agarrados a cabos, rampas que temos de ir com as mãos no chão quando as dores de pernas já são fortes. É sem dúvida a parte mais difícil do percurso, quando já vemos o varandim do teleférico e nunca mais lá chegamos.....chegados ao teleférico temos umas séries de escadas e a recta da meta sempre a subir, está prova tem talvez uns 15/20 metros planos o resto é sempre com uma inclinação brutal, mas com a meta à vista ganhamos novas energias e até dá para aumentar um bocadinho o ritmo, mesmo no final vejo novamente a família que já tinha subido no teleférico, último esforço e cheguei 53 minutos depois de partir, experiência fantástica que nunca irei esquecer. Depois de recuperar um bocado e já conseguir falar para o speaker da prova e porque o vento era forte o que era desagradável principalmente para quem estava ensopado em suor fomos desta vez todos para o teleférico e voltamos de novo para Chamonix.
Logo na saída do teleférico começamos a ver os ultimos atletas e mais favoritos a passar e resolvemos ficar por ali a assistir, para meu espanto vejo a Emelie Forsberg a passar, nem queria acreditar, tinha acabado de ganhar a prova dos 80km 2h antes e já subia o KMV, (depois vim a saber que parou pouco à frente), o ritmo dos principais candidatos era impressionante, parecia que iam em plano, então o Kilian que iria ganhar a prova conseguia ir a um ritmo fortíssimo e ainda se dava ao luxo de falar e cumprimentar o público. Depois de passar o ultimo que era o vencedor do ano passado, o Saul A. Padua, continuamos o regresso ao apartamento, mas antes era preciso "queimar" aquele lactato acumulado naquela subida e fui fazer uma corridinha de 30 minutos a ver montras :)

Sábado era dia livre, depois de 40 minutos de uma corrida plana saímos de carro e fomos dar uma volta por aquela zona, Megève, Champex, Courmayeur, Gr-St-Bernard, Trient, Vallorcine e novamente Chamonix, passeio muito agradável!

Domingo era dia da maratona, conforme a organização avisou no dia anterior o mau tempo fazia-se sentir, chuva, frio e vento forte nas partes altas da prova, nesse sentido a organização alterou a ida ao ponto mais alto do percurso, a Aiguillete des Posettes, a partida era as 7h mas como eram 2200 atletas que iriam estar na saída resolvi ir mais cedo para não ficar na parte de trás do pelotão, o que acabou por acontecer é que fiquei junto do grupo de elite, o que provocou um início muito rápido, nada ao meu ritmo, e até senti algum desconforto nos primeiros km, até Valorcine ao km 18 o percurso era pouco acidentado, muito rolante e sem qualquer parte técnica, foram estes primeiros 18km que mais me custaram porque gosto mais das longas subidas, o que se verificou depois de passarmos no abastecimento de Valorcine, ai começou a 1ª grande subida da prova e lá no alto 2200 metros o frio com vento à mistura fizeram a sensação de frio acentuar, mas já estava no meu terreno, depois longa descida e novamente longa subida até Flégère, lá no alto a prova estava feita, agora era descer até Chamonix, essa foi uma alteração ao percurso, pois a prova estava prevista acabar em Planpraz a 2000 de altitude, onde acabou o KMV mas devido ao forte vento o teleférico estava parado e não havia maneira de trazer os atletas de volta a Chamonix, pelo menos foi está a explicação que ouvi!
A chegada a Chamonix e principalmente o último km foi com um ambiente fantástico, muito público na estrada a apoiar, e ouvir palavras de apoio em várias línguas inclusive muitas em português, o dorsal tinha a bandeira do país do atleta, deu uma adrenalina extra e o ritmo aumentava conforme a meta se aproximava e mais gente se acumulava, nós últimos metros ainda ouvi as palavras da família e mais "arrepiado" fiquei logo a seguir estava concluída a prova, 42km, 5.05h e 2500D+ depois tinha realizado um dos objectivos do ano correr em Chamonix numa que é das mais importantes provas a nível mundial. Foi uma experiência que será recordada para sempre.

Os restantes dias foram para gozar em família e aproveitar aquelas condições naturais fantásticas para treinar.

Agora segue-se a maior aventura da minha vida desportiva, as 100 milhas (170km) no ehunmilak. E em Agosto próximo estou de regresso a Chamonix para o UTMB e fazer a prova do CCC.

Chamonix

Emelie Forsberg



KMV
Anna Frost


 Stevie Kremer

Courmayeur






Chalet La Floria

Kilian
Champex - Lac
Gr-St-Bernard



Maratona

sábado, 1 de fevereiro de 2014

O regresso aos Abutres

Não é meu costume repetir provas, mas esta tinha de ser, fazia um ano que me tinha estreado nas "ultras", e seria a forma de comemorar, e que rica forma!!!
Os Abutres não estavam no calendário competitivo, por isso não houve qualquer tipo de preparação, nem sequer alterei o programa de treino, os abutres iam ser simplesmente encarados como um treino longo e também para avaliar o trabalho de um ano em relação á prova de 2013.
Eram 4.30h de sábado, hora de acordar e preparar para sair para Miranda do Corvo, seriam cerca de 1.15h até lá, cheguei pouco passava das 6.30h, fui logo levantar o dorsal, ainda havia poucos atletas no pavilhão, foi rápida a entrega do dorsal, voltei para o carro para tratar de equipar e fazer um reforço do pequeno-almoço, eram 7.15h quando já equipado me dirigi para o pavilhão, local onde ia ser dada a partida, encontrei algum pessoal amigo, entretanto começaram a chegar os colegas da Desnível Positivo, já juntos fomos fazer o controlo zero e fomos para o parque fechado local onde partiríamos cerca das 8h, o dia estava bom para correr, não estava frio nem chuva, o tempo quase ideal.
No início, ao contrário do ano passado, em que saí rápido, fui mais cauteloso, já sabia o que me esperava, fui num grupo de 4/5 elementos da D+ durante os primeiros km, quando saímos de Miranda, na Quinta da Paiva (Parque Biológico), vi que já estava sozinho, entramos então nos verdadeiros trilhos dos Abutres, aí começou a lama, muita lama, água, riachos, pontes feitas de troncos, longas subidas, zonas muitos técnicas, outras que poderiam ser evitadas por oferecerem muito perigo, uma queda feia ali e seria um problema, mas voltemos à lama, uns km mais à frente comecei a ver a Susana Simões, minha colega de equipa na D+, aumentei ligeiramente o ritmo para tentar juntar-me a ela e assim seguirmos juntos, consegui, e já foi juntos que chegamos ao 1° posto abastecimento (PA), o meu objectivo era ir com a Susana até pelo menos ao fim da ultima subida, depois via o estado em que estava e tentava continuar com ela ou geria para chegar ao fim, além da companhia simpática sempre podia ajudar numa ou outra ocasião mais complicada, sabia que a Susana tem um ritmo constante, já tínhamos feito alguns treinos juntos, faz uma gestão excelente da prova, iniciamos a 1° grande subida e lá seguimos juntos, ir sempre ou quase sempre a subir a correr ou a trote naquele terreno enlameado dá um desgaste muito grande mas como a prova não passava de um teste ao meu estado físico era o ideal. Chegados ao PA e enquanto comia e bebia uma chá quentinho a Susana já tinha partido, é muito rápida nos PA, ou eu muito lento.
Lá fiz novo esforço para tentar chegar e consegui, continuamos num ritmo certinho entre lama e água, subidas agarrados a corda, descidas em terreno enlameado, "uns bate cus" e íamos passando uma data de atletas, nas descidas eu ganhava alguma vantagem a Susana não queria arriscar e descia com mais cuidado, assim aproveitei para chegar a novo PA, Sª da Piedade, com alguma vantagem que me desse para comer e beber mais calmamente e esperar para seguir com ela sem necessidade de aumentar o ritmo para a alcançar, mas a verdade é que enquanto bebia uma sopinha quente lá vi a Susana a partir, nem a vantagem ganha na descida chegou. Ainda bebi mais um chá e segui no seu encalço, novo esforço, desta vez já íamos na grande subida final, seriam cerca de 8km a subir e bem, lá a consegui alcançar novamente, ufaaa, mas desta vez o esforço foi brutal e alguns minutos depois de a alcançar desejei-lhe boa sorte e força para o resto da prova. Já não conseguia seguir mais tempo naquele ritmo, que grande máquina e sempre "afinada", ela já estava no 2º lugar e queria manter obviamente, fiz o resto da subida sozinho, na parte final apareceram cãibras nas duas pernas nos quadricípedes, quase que me bloqueavam o andamento, nunca me tinha acontecido, parei um pouco alonguei e tentei seguir a ritmo mais lento, mas sempre que aparecia uma zona mais íngreme ou de pedras que tinha que levantar mais as pernas as dores eram muito fortes, sabia que chegando ao alto a partir dai seria bastante tempo a descer e depois quase sempre junto ao rio em trilhos muito técnicos, foi com muita dificuldade e dores horríveis que cheguei ao PA e centro de BTT.
Agora íamos entrar para mim na parte mais bonita da prova um single track no meio de um bosque sempre a descer em terreno muito mole e sem obstáculos, dava para correr a bom ritmo, aí juntaram-se a mim o Luís Alves o Artur Costa e o Vítor Penetra colegas da D+, chegados ao fim desta zona entramos na parte mais técnica do percurso sempre nas margens do rio, algumas vezes dentro, mas a progressão nessa zona é lenta até porque se acumula mais atletas e alguns tem mais dificuldade nestas zonas, chegamos a fazer 1km em quase 20 minutos!!!
A última dificuldade da prova estava agora na subida até Gondramaz, de início muita rocha para trepar, tínhamos de subir agarrados a correntes e cordas, e na parte final já em estradão deu para aliviar as dores, sabia que depois de Gondramaz seria mais uma zona de rio e depois estradão e alcatrão até à meta.
Ao aproximar do último PA de Espinho sabia que estava feita a prova a dúvida era se conseguia fazer menos de 7h, mas olhando para o relógio vi que era quase impossível, até porque vinha com muito desgaste, nesta zona já só vinha com o Luís, o Penetra estava muito bem e foi a ritmo mais forte como também o Artur, aliás ele tinha raspado a cabeça numa árvore e acho que tinha pressa em ir tratar da ferida :)
Os últimos km tive alguma dificuldade em acompanhar o Luís, até porque é o terreno que menos gosto, estrada plana, mas teria de fazer um esforço final, e a 100 metros da meta sabia que tinha uma pequena subida em terra enlameada de cerca de 20/30 metros mas bastante íngreme, nada de outro mundo, mas como vinha com as pernas praticamente presas sabia que aquela subida ia ser um suplício e foi, foi aos berros e a trincar a língua que a fiz, o Luís ajudou com palavras e assim entramos juntos no pavilhão 7.18h depois da partida, menos 2h que no ano anterior, a evolução foi fantástica tirar 2h naquele tipo de terreno e num percurso ainda mais técnico que o do ano passado para mim é muito bom, obviamente estava satisfeito mas desgastado, sabia que na origem das cãibras estava possivelmente uma má hidratação, não na prova mas nas semanas anteriores, mais uma lição apreendida.
A prova foi ganha pelo Nuno Silva também da D+ com um tempo canhão, grande máquina!!!
No fim foi alimentar, hidratar, alongar e preparar o regresso a casa, ficou mais uma ultra concluída.

Venha a próxima!