sexta-feira, 17 de abril de 2015

Gerês Trail Adventure - GTA

O 1.º objectivo do ano estava à porta, ia decorrer no parque natural da Peneda do Gerês. A prova é diferente de todas as outras, é por etapas, 3 etapas em 3 dias, a 1.ª teria 35 km, a 2.ª 60 km e a 3.ª 12 km num total de 107km e 7000D+. A estratégia para esta prova seria diferente é sempre uma novidade, nenhum dos 3 elementos que compunha a equipa tinha feito uma prova por equipas.

Pedro Conde-Artur Costa-Vítor Penetra
A prova começava sexta-feira de manhã, mas fui para o Gerês na quinta-feira ao final do dia, assim seria mais confortável levantar o dorsal e preparar as coisas para o dia seguinte, seria um fim‑de‑semana em família apesar do tempo estar mau. Era esperada muita chuva principalmente para sexta e sábado, mas era o que estava marcado e assim foi. Na viagem, tivemos a companhia do Vítor Penetra, que juntamente com o Artur Costa e eu formamos a equipa Desnível Positivo. Durante a viagem fomos falando de como podíamos encarar a prova, a gestão da mesma, principalmente da 1.ª etapa porque o segundo dia sabíamos que seria muito duro.

Na chegada ao Gerês fomos logo levantar o material o que decorreu de forma rápida e sem qualquer problema. 3 dorsais (um para cada etapa), corta-vento e uma pequena árvore vinham no saco. A ideia da árvore foi muito original, seria dada uma a cada atleta para ser plantada, desta forma varias dezenas de árvores irão crescer num pais tão devastado pelo fogo! De seguida fomos à Residencial Ribeiro onde tão amavelmente fomos tratados naqueles 3 dias, e de seguida jantar ao centro da vila. Era importante descansar bem, os dias seguintes iam ser para duros!!!
1.ª Etapa

1.ª Etapa - 13º lugar - 4.31h

No primeiro dia estava marcada uma etapa de 35km, com 2500m de desnível positivo (D+), o dia estava cinzento e o pequeno almoço foi o encontro com a restante equipa Desnível Positivo que também fez daquela residencial "quartel general" depois daquele momento agradável fomos equipar e preparar o material para seguirmos para a zona de partida, como as previsões eram de chuva o impermeável (sempre obrigatório com este tempo) e uma segunda camisola seria importante levar na mochila além do restante material imposto pela organização. 
Já na zona de partida encontramos vários amigos destas andanças, o ambiente do Trail é muito diferente, todos falam com todos, fotos de grupo, com os atletas de elite, etc....controle feito e preparados para  etapa, estratégia definida, que seria gerir mas ao mesmo tempo andar bem, era importante não deixar as forças todas logo no 1.ª dia, até porque no dia seguinte vinha a etapa "rainha". 
A partida foi dada às 11h pelo organizador e principal responsável da prova o Carlos Sá. Saímos na frente do pelotão, e os primeiros km foram sempre em alcatrão e bastante rápidos, alias foi uma etapa muito rolante, mesmo a subir dava para rolar bem, o que neste caso não é bem ao meu gosto, mas fizemos os primeiros 20km a bom ritmo, a parte final devido a brincadeiras infantis feitas por anormais (que têm cabeça mas nada dentro) andaram a alterar o sentido das marcações e a retirar fitas. Face à chuva que entretanto começou a cair e também algum cansaço deixamos o ritmo cair ligeiramente. De qualquer das formas fizemos 10º da geral. Confesso que devido ao facto de ser um percurso muito rolante o desgaste que me causou foi maior do que estava a contar, mas o tempo final de 4.31h estava dentro do esperado, estávamos com a 1ª etapa concluída e andamos os 3 sempre juntos a puxar e a incentivar. O espírito de uma verdadeira equipa. 
Final da 1.ª etapa


No final, depois de algumas fotos e conversa com outro pessoal que já se encontrava naquela zona, rapidamente fomos tomar banho porque era importante não apanhar frio e até aquecer. Reunidos novamente na recepção da Residencial foi assim que andamos estes 3 dias, sempre o "team" junto, fomos jantar cedo era preciso descansar, a próxima etapa seria ás 6h.





2.ª Etapa - 9º lugar - 10.33h

Esta era a etapa rainha, a ultra etapa, 60km com 4000m de D+, o despertador estava para a 4.45h, obviamente era noite escura quando descemos para o pequeno-almoço, chovia intensamente desde o dia anterior e assim foi a noite toda, depois do pequeno-almoço que reforcei no quarto com aletria, pois o dia seria longo e duro, verifiquei o material. Tudo pronto! Impermeável vestido, frontal na cabeça lá nos dirigimos para a partida, continuava a chover forte, já prevíamos uma etapa ainda mais dura. Na chegada à zona de partida fomos encaminhados para o auditório onde o Carlos Sá fez algumas considerações e recomendações sobre a etapa, mas mal saímos do auditório foi dada a partida, não era recomendável estar ali a levar com tanta água parados.
Partida dada e desta vez o inicio foi mais calmo tínhamos muitos km pela frente e bem duros, na parte inicial e logo antes do 1º abastecimento conseguimos perder-nos, não por falha de marcação mas por distracção  nossa, perdemos algum tempo, quando chegamos ao 1º PA fiquei surpreendido, eram cerca de 7h da manhã e um grande panelão de sopa com um aspecto muito bom estava à nossa espera, lá foi uma tigela, estava tão quente que tive de misturar água, senão nunca mais saia dali, mas soube muito bem, pena não ter havido mais. Depois deste posto começamos a correr a um ritmo mais certo e rápido, passamos umas equipas, e entramos em zonas mais técnicas, ao lado de belas quedas de agua, zonas de pedra escorregadia ainda para mais com aquela chuva, ribeiros, barragens, vales de uma beleza incrível, foram as vista desta etapa, claro que também muita lama, água (gelada) principalmente nas partes altas, muito vento, e bastante frio, até porque estávamos molhados quer da chuva quer do suor, estas condições climatéricas tornaram a etapa ainda mais dura.
Tínhamos  3 subidas duras e longas de vários km, fomos passando estes obstáculos um a um e sempre juntos, ajuda mútua era importante, e de PA em PA continuávamos em bom ritmo, passamos a barragem de Vilarinho das Furnas e começamos a longa subida da Serra Amarela, vista deslumbrante e sossego absoluto, pena as nuvens baixas e a chuva não deixarem ver o verde que nos rodeava, felizmente já tinha tido a sorte de fazer esta parte do percurso com o Carlos Sá em Dezembro e num dia de sol. Incríveis as paisagens, aconselho uma visita a este parque natural. 

Depois de passada a Serra Amarela e já na descida finalmente apareceu o sol e que bem que soube, parece que ganhamos novas forças, e lá continuamos em bom ritmo novamente a descer e com a barragem de Vilarinho ao fundo, seguíamos agora para a última dificuldade do dia a subida da Calcedónia. No abastecimento anterior por causa do telemóvel distraí-me um pouco e consequentemente má alimentação, iniciamos a subida a bom ritmo e mantivemos esse ritmo durante toda a subida, mas era dura, muita pedra, era preciso saltar entre pedras, escadas naturais daquela zona, o típico penedo, e passar por fendas, isto já no final junto da famosa "Fenda da Calcedónia", infelizmente não passamos pelo seu interior por questões de segurança que percebo perfeitamente. 
Zona da Fenda da Calcedónia
Estava feita a parte dura da etapa mas esta subida deixou-me marcas, o sol inesperado fez mossa, falha na alimentação e já algum desgaste acumulado deixaram-me bastante pesado para os km (8) finais, seria numa primeira fase a rolar em estrada e estradão e depois sempre a descer até à Vila do Gerês onde estava a meta. Tomei um gel e lá recuperei alguma coisa e continuamos a rolar até que já ouvíamos lá em baixo na Vila a voz do speaker, ai ganhamos novas forças e fomos em boa disposição até há linha da meta. Quando entro na recta final e vejo no pórtico da meta o meu filho, esqueci-me por instantes que estava em equipa e acelerei ao seu encontro, é sempre reconfortante ver a família na chegada, é uma motivação extra!

E estava feita a etapa principal em 10.33h, dura.....mas em equipa unida é mais fácil ultrapassar os obstáculos!
Exactamente como no dia anterior, banho e jantar em equipa. Por volta das 21.30h fomos ao auditório assistir aos melhores momentos dos 2 dias e também a um "bate papo" com as duplas das 3 primeiras equipas da classificação geral da prova principal, a dos 107km, momentos divertidos antes do descanso.


Final da 2.ª etapa









3.° Etapa - 9º lugar - 1.22h

Esta etapa era a mais curta e claramente a mais simples, tinha somente um início brutal, com 3km sempre a subir muito, autenticas rampas, e praticamente a totalidade do D+ 800m, apesar de ser uma etapa curta o material obrigatório era o mesmo das outras etapas. Concordo! 
Depois de uma boa noite de sono, toca a acordar às 9.00h, depois de um agradável pequeno-almoço, desta vez já com sol. E como o Gerês fica mais bonito com sol! Fomos para a zona de saída, a partida foi dada às 10.30h, e depois de uma volta à Vila do Gerês a ritmos de estrada, o 1º km foi feito a 4.30m/km, mas a entrada na subida ainda no centro da vila é uma grande "pancada" faz lembrar no ciclismo aquelas etapas que terminam em alto com uma subida final curta em que entram todos a bom ritmo e se começam a “espalhar” perante a subida, aqui também foi assim, entrei a um ritmo alto mas rapidamente vi que era exagerado e comecei a gerir, passado uns minutos já tinha estabilizado e já subia a ritmo constante, mas próximo do máximo, as dores de pernas eram enormes, parece que o ar para respirar não chega mas eram só 12km e podiam haver estes exageros. Depois de chegarmos ao alto de Pedra Bela, foi praticamente sempre a fundo novamente até à Vila, a descida foi feita de forma bastante acelerada, os travões até aqueceram, mas lá estávamos 1.22h novamente na meta, 14 minutos depois dos vencedores da etapa, e em 8º lugar de geral. 

3.ª etapa


A equipa com o Carlos Sá



No final a organização tinha preparado uma surpresa, depois dos parabéns dados pelo Carlos Sá, vai buscar uma medalha personalizada com a foto dos 3 elementos da equipa e coloca-nos ao pescoço, são chamados os pormenores de classe a que o Carlos já nos habitou.
A medalha de finisher


O ambiente no final era fantástico, o speaker ajuda à festa, muitas caras conhecidas, deu para encontrar, falar e até conhecer novos elementos da APT, trocar umas ideias com o “comandante” Paulo Pires, ele que além da parte “técnica/táctica” fez um grande trabalho fotográfico.

No final ficamos no 9º lugar da geral com 16.28h.

Considerações finais!

Depois de recompostos fomos para a zona de meta onde seriam entregues os prémios aos primeiros classificados, mas antes fui surpreendido, estava um rancho folclórico a actuar e vi o Carlos Sá e o Armando Teixeira e até o Philipp Reiter a dançar "o vira" lá no meio, de facto o Trail faz estes ambientes e todos convivem, o primeiro com o último, e o último com o primeiro. Ambiente único! Este fim‑de‑semana assisti e participei numa prova de Trail no seu estado mais puro.

Depois de um almoço volante e alguma conversa foi fazer o regresso a casa, havia que descansar um pouco, pois no dia seguinte era segunda-feira.

Aproveito para dar os parabéns ao Carlos Sá e a toda a sua equipa que tornaram este fim‑de‑semana fantástico, uma organização exemplar, trilhos para correr e dos mais belos que tenho visto, os voluntários 5*, sempre prontos a ajudar e a incentivar, tenho de salientar a Natália Amoedo, o Bruno Querido e o Nuno Gavinho, que ainda vinham ter com os atletas antes dos abastecimentos e corriam ao nosso lado até lá, também aos irmãos Pereira que fizeram um grande, duro e “alegre” trabalho a colocar e retirar fitas.
Tenho a certeza que esta prova tem tudo para no futuro se tornar na Meca do Trail nacional e uma das melhoras da Europa, o Gerês merece!

Em termos pessoais vi que ainda estou a baixo daquilo pretendido, mas ainda temos 10 semanas para afinar a máquina até ao objectivo principal do ano, as 100 milhas no Ehunmilak. Antes ainda passo nos Açores pelo Faial para 50km e por Chamonix para o Km Vertical e Maratona do Monte-Branco.

Aos meus colegas de equipa, vocês foram fantásticos Vítor e Artur, passamos 3 dias excelentes, o espírito foi o que esperava, a entreajuda do melhor, a vossa qualidade como atletas nem se fala, com vocês estou disponível para novas aventuras, obrigado pela vossa companhia, fomos enormes.

Também envio um abraço a todos os atletas presentes da Desnível Positivo, e foram muitos, todos juntos fazemos a diferença!

D+

2.ª etapa
Família
Os espanhois 2º da geral


Recuperação






domingo, 15 de março de 2015

Transgrancanaria

07.03.2015
Ilha de Gran Canaria - Espanha
128km
8500D+

A Transgrancanaria era uma prova que já há muito estava nos meus planos, como é a 1ª grande prova do ano em continente Europeu e também porque faz parte do World Tour são muitos os atletas que a elegem. Uma grande parte da "nata" do trail running mundial desloca-se para ilha das Canárias em Março. Eu este ano também iria estar presente, e a expectativa era alta.

5ªF - Chego a Maspalomas local onde estava localizada a Expo e também seria a chegada da prova. Fui directamente do Aeroporto para a Expo a fim de levantar o dorsal, lá chegado encontro o Nuno Silva que também tinha chegado à pouco e fazia o mesmo, tudo correu normalmente para uma prova desta natureza, algum tempo de espera mas nada fora do normal, no saco além do dorsal também vinha um buff e t-shirt. Feito isto fomos jantar ao local da pasta-party, era um espaço ao ar livre, a temperatura era agradável naquele final de tarde, a qualidade da comida também era boa, até esta altura as indicações eram que seria uma prova em que tudo estava pensado.

Acabado o jantar eu e o Nuno íamos ficar juntos no mesmo apartamento começamos a odisseia de a pé procurar o aldeamento, depois de uns 3/4 km e com alguma ajuda lá chegamos, entretanto recebo uma mensagem da Ester que o voo que vinham estava muito atrasado, e que só chegariam perto da meia-noite. E assim foi, chegaram os restantes companheiros de apartamento o Ivo Morais e a Ester, num outro apartamento ficou o Nelson Sousa, o Paulo Reis e a Anabela Rodrigues.

Entretanto tínhamos encomendamos comida para os 5, para que quando eles chegassem não tivessem essa preocupação e poderíamos descansar todos o melhor possível, já que no dia seguinte era dada a partida da prova.

6ªF - Dormimos até o mais tarde possível, se assim se pode dizer, e depois do pequeno almoço tomado fomos novamente para a Expo pois havia quem ainda não tinha levantado o dorsal.
Depois de uma volta agradável pelo passeio marítimo de Maspalomas com um sol quente, já tinha saudades de passear de chinelo e calção, combinamos almoçar por ali numa pizzaria, nesse almoço juntou-se-nos o Armando Teixeira e o Carlos Sá, e foi com umas pizzas muito boas que fizemos o estagio pré-prova.
Passeio marítimo 

Depois do almoço foi hora de regressar aos apartamentos para descansar. Era importante dormir um bocado, a noite ia ser longa, consegui dormir cerca de meia hora. Ao final da tarde nova encomenda de pizzas e massas para o jantar antes de sairmos para os autocarros que nos levariam até à linha de partida.

Combinada a hora para sair, o Paulo e a Anabela tinham alugado carro, lá fomos todos para o local onde iríamos apanhar o autocarro, lá chegados não vimos ninguém e um elemento da organização diz-nos que os autocarros já tinham saído todos, ficamos a olhar uns para os outros e agora....ou a Anabela nos iria levar de carro à partida pois ela ia fazer a maratona que só saía no outro dia de manhã ou tínhamos de ir de táxi, o que seria desagradável, pois eram quase 100km de distância.
Em conversa por rádio o tal sujeito da organização diz para quem estava do outro lado que estão ali 5 portugueses para ir para Agaete, e lá nos manda ir a correr para um autocarro para estava umas centenas de metros mais à frente, o que isto provocou é que alem do susto fomos os 5 sozinhos num autocarro, o que deu para descansar mais 1 horita, acabou por correr melhor do que esperávamos.
"Os cinco"
Chegados a Agaete estava um vento forte e frio, fomos obrigados a vestir impermeável e como já faltava pouco tempo fomos logo para a zona de partida e de controlo, lá dentro com toda a gente junta já se estava bem.

Partida - A saída da prova estava marcada para as 23h, e assim foi, cerca de 670 atletas reunidos para atravessar a ilha de volta a Maspalomas, seriam 128km com 17.000 metros de desnível acumulado, não me costumo referir ao desnível acumulado mas nesta prova também seria importante não exagerar nas longas, técnicas e perigosas descidas.
Cumprimentos finais e desejos de boa prova entre quase todos os Portugueses presentes, pois aqui parte toda a gente junta, lá saímos num ambiente muito bonito onde com música e uma enorme projecção dão um colorido fantástico.
Comecei a bom ritmo pois sabia que chegados ao single track era importante estar bem colocado, as sensações eram muito boas na parte inicial, e os primeiros 10km são sempre a subir, conseguia correr, mas apesar das boas sensações ainda era muito cedo e preciso "resfriar" os ânimos, assim levantei ligeiramente o pé e fiz descer a FC, faltava muito e com muita dificuldade.

A noite estava agradável de temperatura, só umas rajadas muito fortes de vento pareciam que iam deitar as árvores ou troncos a baixo, tinha a impressão que a qualquer altura levava com qualquer coisa.
Por volta dos 20km comecei a ter uma sensações esquisitas de mau estar, nunca até à altura em qualquer prova tinha tido problemas de estômago, mas parece que ia ser o dia. A fast food comida nos 2 últimos dias estava a fazer efeito, e logo eu habituadinho a comida caseira e saudável. Chegado ao posto dos 33km, tomei o 1º Imodium mas as sensações eram más, nesta altura tinha a desistência na cabeça se não conseguisse melhorar, as forças estavam a ser levadas e depois da 2ª paragem no meio da montanha cerca do km 38 quase que nem em plano conseguia correr, estava a desidratar e não conseguia comer nada. Em Fontanales era o 4º posto ao km 43 tomei o 2º Imodium e forcei a comer pão que mais parecia pedra, banana com aspecto duvidoso e amendoim, entretanto por esta altura recebo um telefonema de casa e digo que se continuar assim no próximo posto desisto, os incentivos e os Imodiums fizeram efeito e a partir daqui começo progressivamente a sentir-me melhor.
Ao chegar ao posto de Teror sabia que ia ter a grande dificuldade pela frente, era uma subida de cerca de 10km com muitos degraus e de inclinação acentuada, tinha de sair bem alimentado pois a subida ia ser longa e dura, só que os postos de abastecimento nesta prova deixaram muito a desejar.

Em todos eles as opções não eram muitas, só tinham banana e laranja de frutas, alguns marmelada e gomas ou chocolate, pão duro como pedra, cubos de queijo e fiambre que com aquele calor nem arrisquei a meter na boca, de bebidas água, coca-cola e em alguns água com cheirinho de isotónico. Só no abastecimento principal que estava ao km 80 havia massa, estava mal habituado, pois nas últimas 2 provas que tinha feito quer o CCC quer a Diagonal des Fous não havia comparação, aqui nas canárias foi muito mau. Voltando à prova e à longa subida de cerca de 10km o que me valeu foi ter levado uma dose de Cerelac, juntei água e foi a minha sorte, no fim da subida as sensações já eram boas, as forças tinham voltado e o objectivo era terminar o mais rápido possível, queria fazer top 100 e abaixo das 20 horas e era por isso que ia lutar.
Chegado a Garañón posto onde tinha assistência (saco), optei por só trocar de meias e comer uma massa e hidratar muito bem, paragem rápida pois estava dentro do tempo para baixar das 20h, demorei cerca de 10/15 minutos e segui, nesta altura já recebia informação que estava bem dentro do top 100, e esse objecto a 40km da meta estava praticamente cumprido, faltava o de baixar das 20h, a organização da prova tinha anunciado que os atletas que fizessem menos de 20h tinham um prémio extra, nesta altura era este o meu principal objectivo.
Sabia que depois de Tunte havia uma última subida mas nada de especial e seria quase sempre a descer até à meta, e assim foi. Fiz a subida a bom ritmo e muita dela a correr, só não contava depois que a descida ia demorar quase tanto tempo como a subir, empedrado numa fase inicial, depois muita pedra grande solta, nesta altura sabia que se a descida fosse normal chegava dentro do tempo, mas não contava com tanta dificuldade e risco na parte final, o terreno era em single track com enormes godos e cascalho sempre com um precipício de um dos lados, aliás toda a prova o terreno era árido, com muito pó e feio, as paisagens nada de especial, água, rio, ribeiros, ou pocinhas nem ver. Não contava com uma prova assim, só mesmo na zona do Roque Nublo foi agradável, aliás em quase toda a prova haviam percursos marcados mas nunca vi ninguém, só mesmo na subida e descida do Roque Nublo se viu turistas, o que explica alguma coisa.  
Mas voltando à descida foi aqui que perdi a hipótese de fazer menos de 20h, demorou muito tempo e era difícil de ultrapassar os atletas que seguiam à frente, quer os que faziam os 83km, quer os da Maratona. Quando chego a Arteara, a 19km da meta, apenas tinha pouco mais de 1h para os fazer, a descida de mais de 10km tinha-me retirado o objectivo 20h. A partir daqui era tentar rolar até ao final, sabia que a prova estava feita mas já não havia objectivo e assim "cai" bastante, foi um arrastar até ao final. De seguida entramos num estradão poeirento e quente que nos levou ate à entrada de Maspalomas e do rio seco, canal este que foi um autêntico pesadelo, enorme recta,talvez com cerca de 4/5km e em pedra irregular, onde muita gente ia a passo, saídos do rio e para terminar já no passeio marítimo de Maspalomas entramos pela praia dentro, só faltava correr na areia, quase que enterrava, que maldade, depois foi a recta final até à meta onde o Depa já famoso speaker deste tipo de eventos fazia a animação habitual. Terminada a prova com os aplausos e incentivos do speaker foi receber o colete e medalha de finisher. Estava feita a Transgrancanaria em 20.51h, o que deu o 72º da geral e 22º do escalão.

No final o desgaste era grande, estava cheio de sal, quer no rosto, quer na roupa, desidratado mas satisfeito por concluir mais um objectivo.
Depois fui ter com a Anabela que já tinha terminado a Maratona numa excelente prova e estava na zona da pasta-party a comer, eu não tinha apetite nenhum e optei por não comer nada, quando cheguei ao apartamento já lá estava a Ester e o Nuno, a Ester tinha feito 6ª lugar, grande resultado, e o Nuno tinha acabado junto ao Armando também num bom registo.
O Nelson, o Paulo e o Ivo também terminaram a prova e assim sendo éramos todos finisher de uma durríssima prova. Destaco também o 7ª lugar da Lucinda (2ª do escalão) e o 2º lugar do Carlos na Maratona, muito bom.

Parabéns a todos os Portugueses presentes nesta aventura.

Uma palavra para os voluntários presentes durante o percurso e na expo, fantásticos!!!!

No dia seguinte foi para tratar as "feridas"contar as peripécias e despedidas para o regresso a casa.

Venha a próxima que será o Peneda-Gerês Trail Adventure 8 dias\8 etapas = 280km













terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Resumo de 2014

2014 está no fim, foi um ano que dificilmente irei esquecer, além de provas marcantes e que serão eternamente recordadas também ficou marcado por noticias tristes e inesperadas!

Em Abril começou com as provas previstas no calendário competitivo, já tinha feito outras provas nos meses anteriores mas somente para treinar. E começou logo com uma experiência nova em todos os aspectos, prova por etapas e em equipa, GerêsTrail Adventure, foram 3 dias bem passados no fantástico Gerês na companhia do Artur Costa e do Vítor Penetra.

Em Maio fui até ao Açores atravessar a bonita ilha do Faial que teve no seu final no Vulcão dos Capelinhos um final espectacular!

Depois chegaram as provas Internacionais, em Junho a Maratona do Monte Branco e o KM Vertical em Chamonix foram duas experiências brutais onde deu para estar ao lado das grandes figuras do Trail como por exemplo o casal Kilian/Emelie :)

Em Julho fui até ao Pais Basco fazer a estreia em provas de 100 milhas, mas esta não correu como contava e fui obrigado a desistir devido a lesão, prova bem organizada, publico fantástico mas com lama a mais....

Agosto foi mês do UTMB a Meca do trail running em Chamonix, para fazer o CCC, esta prova correu muito bem e foi para além de uma experiência fantástica também motivadora para o grande objectivo do ano que se aproximava.

Outubro e a Diagonal des Fous (Diagonal dos loucos) o nome assenta na perfeição, esta prova que se realiza na Ilha de Reunion no Oceano Índico é qualquer coisa de fantástica, foi sem duvida uma experiência que irá ficar para sempre "pormenorizada" na minha cabeça, organização excelente, publico do melhor que vi ate à data e um percurso duro e técnico além de as temperaturas oscilarem entre os quentes 30º junto ao Índico e os frescos 5º nas zonas altas de montanha a não ajudarem, ilha lindíssima e prova de 100 milhas superada com sucesso!  

Novembro veio com as más notícias sobre dois grandes atletas e fantásticas pessoas. Um amigo do Andebol faleceu (Filipe Mota) e logo na semana seguinte desaparece nos Picos da Europa outro amigo (João Marinho) estejam onde estiverem estão sempre presentes.









O ano acaba com mais uma animada festa de Natal da Desnível Positivo novamente no Gerês!

Venha agora um novo ano com novos desafios para vencer.

Um grande 2015 para todos......